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17.12.04 - Displasia Coxofemoral (DCF)

A displasia coxofemoral (DCF) consiste numa deformação nas articulações coxofemorais impossibilitando o correto encaixe da cabeça femoral no acetábulo (ligação entre a bacia e os membros traseiros).

Incide sobre todas as raças, mas principalmente em raças grandes e naquelas de crescimento rápido, atingindo machos e fêmeas com igual freqüência, podendo comprometer uma ou ambas articulações (normalmente atinge as duas).

Transmitida de forma hereditária, a displasia é uma doença de caráter recessivo e poligênico (determinado por mais de um par de genes) fortemente influenciada por fatores de manejo e do meio  ambiente, tais como, piso liso e escorregadio, postura do filhote ao amamentar-se, peso do animal, hiperalimentação (ingestão excessiva de cálcio durante o desenvolvimento), crescimento rápido, etc.

A displasia provoca muitas dores no animal quando esse se locomove, além de proporcionar um andar imperfeito, afetando a resistência do animal.

A raça também vai influenciar o modo que a displasia se desenvolve, pois existe uma disparidade entre a massa muscular primária e o crescimento esquelético desproporcionalmente rápido, resultando em uma instabilidade articular, a qual por sua vez, levará a uma frouxidão articular, podendo ocorrer arrasamento da cavidade acetabular e subluxação. Nessa etapa, o animal ainda pode não apresentar uma claudicação (“manqueira”) ou rigidez evidente. Alguns animais jovens podem apresentar uma claudicação aguda após exercícios ou caminhadas, enquanto outros apresentam uma repentina redução das atividades e o aparecimento de uma sensibilidade nos membros pélvicos. Ocorrem alterações ósseas que desaparecem com a maturidade esquelética, e é onde encontramos animais assintomáticos, ou seja, isentos de dor significativa.

Os sintomas aparecem a partir dos quatro/seis meses e se baseia não apenas na dor, mas na claudicação, dificuldade de locomoção, atrofia muscular, mobilidade alterada (excessiva ou diminuída) dependendo da fase (aguda e crônica respectivamente) e, finalmente, crepitação ao exame clínico da articulação.

Os cães que apresentam uma idade mais avançada acabam se encaixando num quadro clínico diferente, onde as pequenas alterações, aparentemente assintomáticas, evoluíram para uma doença articular degenerativa crônica, e o animal manifesta a sua dor se levantando com dificuldade, evitando caminhar e brincar, tornando-se triste, com seu humor e temperamento alterados.

O diagnóstico da DCF é realizado através de uma radiografia das articulações coxofemorais com os membros em total extensão, paralelos entre si e com a coluna vertebral, em posição ventro-dorsal, abrangendo toda a pelve até as articulações femoro-tibio-patelares, e com o animal sob sedação para melhor relaxamento muscular e consequentemente maior rigor no exame.

RX cão displasico
À esquerda RX de um cão sadio e a direita o RX de um cão displásico.
Observar o "encaixe" do fêmur e bacia.

Para uma melhor interpretação da DCF foi elaborada pela FCI (Federação Cinológica Internacional) uma classificação em graus:

Normal HD -
Suspeito HD + -
Displasia leve HD +
Displasia média HD + +
Displasia grave HD +++
*HD vem do alemão H uftgelenk D ysplasie e do inglês H ip D ysplasia.

Classificação das articulações coxofemorais:

A (HD -) Sem sinais de displasia coxofemoral

       A cabeça femoral e o acetábulo são congruentes. O bordo acetabular crânio lateral apresenta-se pontiagudo e ligeiramente arredondado. O espaço articular é estreito e regular. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é aproximadamente 105°, como referência.

B (HD +/-) Articulações coxofemorais próximas do normal

      A cabeça femoral e o acetábulo são ligeiramente incongruentes e o ângulo acetabular, segundo Norberg,é de aproximadamente 105° ou o centro da cabeça femoral se apresenta medialmente ao bordo acetabular dorsal.

C (HD+) displasia coxofemoral leve

      A cabeça femoral e o acetábulo são incongruentes. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 100° e/ou há um ligeiro achatamento do bordo acetabular crânio lateral. Poderão estar presentes irregularidades ou apenas pequenos sinais de alterações osteoartrósicas da margem acetabular cranial, caudal ou dorsal, ou na cabeça e colo femorais.

D (HD++) displasia coxofemoral moderada

       Evidente incongruência entre cabeça femoral e o acetábulo com subluxação. Ângulo acetabular, segundo Norberg, é maior do que 90°, como referência. Presença de achatamento do bordo acetabular crânio lateral e/ou sinais osteoartrósicos.

E (HD +++) displasia coxofemoral severa

      Marcadas alterações displásicas das articulações coxofemorais, como luxação ou distinta subluxação. Ângulo acetabular, segundo Norberg, menor do que 90°. Evidente achatamento da margem acetabular cranial, deformação da cabeça femoral (formato de cogumelo, achatada) ou outros sinais de osteoartrose.

Índice de Norberg:

      Baseia-se na determinação dos centros das cabeças femorais e da união dos mesmos por intermédio de uma linha, que nos possibilitará traçar, a partir de um dos centros uma Segunda linha, que tangenciará o bordo acetabular crânio lateral. As 2 linhas formam entre si um ângulo, chamado ângulo de Norberg.

Resumindo:

Tratamento:

Há algumas opções de tratamento para a DCF, entre elas estão:

Tratamento cirúrgico: a "cabeça" do fêmur é retirada, com isso, não há mais o atrito entre o fêmur e o acetábulo. É um procedimento radical, devendo somente ser empregado quando já tivermos esgotado todas as outras possibilidades.

Fisioterapia: consiste em exercícios para fortalecer a musculatura local, de modo que essa consiga sustentar o quadril do animal. Quanto aos exercícios a serem empregados, existem controvérsias. Alguns indicam natação, enquanto outros indicam movimentação em pisos que irão requerer algum esforço, como areia de praia. Portanto deve-se consultar um fisioterapeuta.

Tratamento alopático: atualmente dispomos de drogas à base de vitaminas e aminoácidos, que irão melhorar um pouco a área afetada, mas deverão ser usadas por toda a vida do animal; não têm qualquer contra-indicação. Utilizam-se também anti-inflamatórios (normalmente à base de corticóides) e medicamentos para dor. Mas esse tipo de tratamento é apenas um paliativo, não eliminado realmente o problema e há contra indicação.

Homeopatia: esse tipo de medicação é prescrita baseada nos sintomas do animal, não existindo "receita padrão"; ou seja, em homeopatia não existe remédio para a doença tal; e sim remédios para os sintomas tais. O animal displásico que sente mais dor ao levantar, e melhore com o movimento tomará um remédio e um outro animal que levante bem, mas com o movimento sinta mais dor, tomará um outro remédio. Não existe nenhuma contra indicação e tem-se mostrado eficaz contra a doença.

Tanto criadores quanto os novos proprietários dos animais, devem adotar algumas medidas para minimizar a influência dos fatores ambientais sobre a DCF:

•  evitar pisos lisos e escorregadios;

•  colocar a cadela e seus filhotes recém-nascidos sobre uma superfície levemente rugosa para que os filhotes possam locomover-se sem escorregar (atenção para que o material utilizado não seja áspero demais e machuque os filhotes);

•  à partir dos três meses, é recomendável exercícios moderados (como a natação) visando fortalecer a musculatura pélvica, única estrutura de tecidos moles que auxilia na manutenção das articulações e que pode ser fortalecida (aumentada);

•  evitar ao máximo a obesidade;

•  evitar exercícios forçados e/ou precoces que possam provocar não apenas a displasia como também artroses.

•  evitar exercitar seu cão andando de bicicleta ou andando de carro e obrigando o cão a segui-lo, pois certamente estará forçando os limites do animal.

Atualmente no Brasil, para fins de reprodução, é permitido o acasalamento dos cães pertencentes às 3 primeiras categorias, ou seja, A (HD-), B (HD+/- ) e C (HD+), enquanto que em alguns países, como por exemplo a Alemanha, só são autorizados para o mesmo fim, as classificações A e B.

Sugere-se, caso a fêmea seja C (displasia coxofemoral leve HD+), que ela deva ter excelentes características do padrão da raça, como conformação, temperamento, etc. Essas virtudes, devem superar as deficiências das articulações. Essa mesma fêmea deveria acasalar com um macho A, sem sinais de displasia coxofemoral (HD-). As recomendações para as fêmeas não devem ser aplicadas aos machos, já que os mesmos transmitirão a displasia para um número muito maior de filhotes.

Animais levemente displásicos tendem a transmitir displasias discretas. É importante ressaltar que os critérios de acasalamento devem levar em consideração o tamanho do plantel e a conformação das articulações. Se a população de animais em uma determinada raça é muito grande, e o controle da displasia é feito rotineiramente há muito tempo, o critério na reprodução será mais rígido se comparado com outras raças com menor número de exemplares e com controle radiográfico mais incipiente. Caso contrário, limitaríamos tanto os acasalamentos, que poderia não haver mais animais aptos para esse fim.

Portanto, na hora de adquirir um cãozinho, procure saber se há controle de displasia dos pais, peça uma cópia e só depois compre seu animalzinho. Bons criadores fazem esse controle e fornecem os laudos sem precisarmos pedir. Não compre animais com DCF, caso aconteça, castre seu animal, pois o único que perde é o próprio cachorrinho.



TODOS OS LAUDOS DE NOSSOS CÃES SÃO EMITIDOS PELA OFFA, NOS ESTADOS UNIDOS.
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