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21.03.05 - Displasia de Cotovelo (DC)

A displasia de cotovelo (em inglês, Elbow dysplasia - ED), é uma doença hereditária de caráter poligênico, desencadeada por um conjunto de 4 anomalias (descritas abaixo) que podem ocorrer isoladas ou combinadas entre si, induzindo uma má formação da articulação do cotovelo, podendo levar à sua degeneração progressiva.

1. Não União do Processo Ancôneo (NUPA):



O Processo Ancôneo é uma pequena pirâmide na extremidade superior da Ulna. No filhote ou cão jovem a cartilagem gradualmente se transforma em osso e se "une" ao restante da Ulna, aproximadamente entre os 4 a 5 meses de idade. Se o processo de ossificação falhar, teremos um Processo Anconeal não unido, o que causará degeneração da articulação e inflamação, causadas pelo atrito entre o Processo e a parte "desprotegida" do osso. Ocorre mais frequentemente em raças gigantes embora ocorra com alguma frequência em raças pequenas, porém as causas são diferentes. Nas raças gigantes, durante a ossificação há uma degeneração da cartilagem, causando a desunião. Nas raças pequenas, deve-se a um desenvolvimento desigual, que leva à fragmentação pelo desequilíbrio do esforço envolvido. Entre os 6 a 10 meses existe um inchaço do cotovelo, o animal passa a mancar e demonstra dor no movimento.


2. Osteocondrite Dissecante do Côndilo Humeral Médio (OCD):



É uma disfunção da cartilagem articular do Úmero, afetando a ossificação endocondral, o que pode provocar um "flap" (fragmento) da cartilagem. Este "flap" causa a degeneração articular devido ao processo inflamatório local. A OCD pode ter pelo menos 3 possíveis causas:
• hereditariedade;
• trauma articular: as áreas envolvidas estão submetidas a maior desgaste mecânico;
• baixo suprimento arterial da cartilagem (ainda não tem uma explicação adequada).
Ocorre geralmente em cães de raças grandes entre os 4 e 12 meses de idade. Na maior parte dos casos as articulações do cotovelo e ombro são afetadas, pois trata-se de uma degeneração da cartilagem. Subir escadas pode facilitar a sua deterioração. Os sintomas incluem desde uma manqueira, movimento para o exterior da perna e diminuição da extensão da passada.

3. Fragmentação do Processo Coronóide (FPC):



O Processo Coronóide Medial do cúbito (pequena porção óssea da Ulna, que se articula com o Úmero) é uma cartilagem que gradualmente se transforma em osso, unindo-se ao restante da Ulna. Um defeito nessa fusão cria um fragmento (flap) que leva ao desenvolvimento de uma doença degenerativa da articulação. Durante a ossificação entre os 4 a 5 meses de idade esta patologia pode ser desencadeada por um problema de crescimento ou excesso de peso. O excesso de cálcio na alimentação pode potenciar esta situação. Como já foi referido ocorre mais facilmente em machos de raças ditas gigantes como o São Bernardo, Dogue Alemão, Rottweilers e Mastins. Pode surgir em associação com a osteocondrite dissecante. Predominante nos machos.

4. Incongruência Articular:



Má formação e mau alinhamento do cotovelo devido a uma assincronia do crescimento entre o Rádio e o Cúbito, levando a uma incongruência da articulação e gerando artrose.
As possíveis causas para a DC são o desenvolvimento e a alimentação, cujos fatores de risco são o crescimento e ganho de peso muito rápidos e dietas hipercalóricas.
Raças grandes e gigantes, assim como outras raças (Labrador, Rottweiler, Golden Retriever, Pastor Alemão e Chow Chow), possuem uma predisposição para desencadear a doença.

Classificação da DC
A classificação (elaborada pela FCI - Federação Cinológica Internacional) é baseada na identificação de osteófitos (apófises) que indicam a existência de uma artrose. Se for diagnosticada uma enfermidade de base, será preciso indicá-la.

E0 - NORMAL - não se identifica nenhuma anomalia.
E1 - DISPLASIA LEVE - artrose ligeira - formação de osteófitos de menos de 2mm de largura.
E2 - DISPLASIA MÉDIA - artrose média - formação de osteófitos com largura de 2 a 5 mm.
E3 - DISPLASIA GRAVE - artrose grave - formação de osteófitos com largura superior a 5 mm.

Sinais Clínicos
Os sinais clínicos aparecem entre os 4 e os 10 meses de idade com episódios de claudicação, abdução do cotovelo, relutância à flexão e extensão do cotovelo, rotação da extremidade quando em extensão. Com o avançar do processo de osteoartrose os sinais clínicos tornam-se crônicos e os animais passam a maior parte do tempo deitados e com claudicação permanente. Também ocorre o espessamento da cápsula articular e formação de osteofitos.
Os sinais de artrose podem surgir em qualquer idade.
O diagnóstico é dado dos 12 aos 18 meses, através de:
• Exames físicos: dor à flexão e extensão do cotovelo; dor quando seguramos o carpo e o cotovelo à 90º e fazendo pronação e supinação do carpo; o membro afetado tende a ser mantido em abdução e supinação; efusão e distensão capsular e crepitação.
• Radiografias: médio lateral; médio lateral hiperfletida; crâneo – caudal - lateromedial oblíqua 25º; crâneo – caudal; radiografias de ambos os cotovelos.
• Citologia do líquido articular.
• Artroscopia.
• TAC.

Tratamento
Tratamento cirúrgico: na NUPA é feita uma osteotomia (remoção) do cúbito; na OCD e FPC é feita a remoção do fragmento solto e na Incongruência Articular é feita uma cirurgia para a correção.
Dieta: deve ser adequada para o controle do peso.

Prevenção
Não cruzar os animais afetados e sim castrá-los, pois evita acidentes!


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